Guca Domenico – Músico Poeta
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Guca Domenico nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), no dia 23 de maio de1959. Guca é a
contração de Carlos Augusto, que sua irmã de 2 anos não conseguia pronunciar.
Quando o chamam de Guga – o que acontece frequentemente -, o poeta corrige lembrando
que até uma criança de 2 anos conseguia pronunciar.
Descendente de italianos,
do sobrenome paterno, Mastrodomenico, outra redução gerou Domenico. Mastro é mestre,
maestro. Domenica é domingo. Domingo é "o dia do Senhor". Guca, o maestro do dia
do Senhor é um artista que faz da arte seu sacerdócio.
Em sua cidade natal, Guca viveu uma infância feliz. Se teve privações materiais – a 350 km da Capital, Santa Cruz do Rio Pardo estava isolada -, compensava
com brincadeiras e jogos típicos do interior: nadar no rio, comer fruta no pé,
brincar de pega-pega em ruas de terra, etc.
A música é tradição familiar: o bisavô materno (Mascencio Ciavatta) era
maestro na Itália; o avô paterno (José Mastrodomenico) tocava violão,
bandolim e violino; a avó paterna (Olívia Nelli Mastrodomenico) tocou
piano até 85 anos de idade. Guca presenciou alguns saraus familiars
onde tios e primos tocavam valsas, choros e mazurcas, descontraidamente.
Lineu Mastrodomenico, seu pai, tocava violão e cantava.
Chegou a ser crooner da Orquestra Ferrari, de Ourinhos (SP),
mas não se profissionalizou, preferindo a stabilidade do funcionalismo
público. A mãe, Odila Verga Mastrodomenico, professora primária, fazia
duos com o marido, cantando toadas, como Casinha
Pequenina.
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Quando Guca tinha 11 anos de idade, seu pai iniciou uma coleção de fascículos da editora Abril com a história dos grandes compositores da música popular brasileira, e ele se interessou pela história de Noel Rosa, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Lamartine Babo, Ary Barroso, entre outros: decidiu que também seria compositor. Era um sonho irreal para o garoto interiorano e só o destino poderia aplainar o caminho.
Em 1976, terminou o colégio. Os irmãos mais velhos estudavam fora de Santa Cruz do Rio Pardo e a
situação financeira pedia uma solução mais sensata, então os pais decidiram mudar para São Paulo. A família
Mastrodomenico teve de se reinventar na capital.
Foram morar na rua São Carlos do Pinhal, atrás do prédio da Gazeta. O sonho de ser compositor estava mais próximo, porém, havia a expectativa dos pais para Guca cursar uma faculdade. Tentou alguns cursos difíceis de entrar (medicina e odontologia) porque queria vencer pelo cansaço. Sua intenção era ser músico.
Dois anos se passaram e seu irmão mais velho sugeriu o curso de jornalismo, na Faculdade Cásper Líbero – "do outro lado da rua." Para tranqüilizar a mãe que temia que o filho seguisse a desregrada carreira de músico, prestou vestibular e entrou.
Na Cásper Líbero, em 1979, conheceu Laert Sarrumor, Carlos Melo, Pituco e Lizoel Costa e formaram o Língua de Trapo, nos estertores do regime militar. No mesmo ano, iniciou uma colaboração na Folhinha de São Paulo, escrevendo uma página dedicada ao público adolescente.
O ano de 1981 foi um divisor de águas: terminou a faculdade, deixou o Língua de Trapo e a Folhinha, e começou a fazer Macrobiótica. A partir daí, a vida e a carreira de Guca Domenico tangenciaram para uma área (ainda) mais alternativa.
De 1982 a 1987 não fez shows e foi cozinheiro naturalista (Artemísia), marceneiro (Pau-Pau) e professor de violão popular (Conservatório Souza Lima).
No dia 13 de dezembro de 1987 voltou aos palcos, no Centro Cultural São Paulo, no show "Lá vem chegando a Esperança", com um repertório de canções esotéricas, que chamou de Música Holística.
Desde sempre, Guca Domenico escreveu poesia. A princípio, eram letras de música, depois foi se soltando da rigidez e da métrica. Em 1989, lançou o livro de poesias "Sete Poemas e Uma Flor", numa edição artesanal de luxo (100 exemplares) decorado com oshibana – técnica milenar oriental de ilustração com flores prensadas.
Em 1990, seguiu os passos da mãe ao trabalhar como professor de Educazione Musicale, na Scuola Eugenio Montale, em São Paulo. A princípio, aceitou o convite para atender a um colega que estava deixando a escola e não queria que se perdesse o trabalho realizado com os alunos. Guca relutou, mas acabou aceitando. Para sua sorte. Na Eugenio Montale reencontrou suas origens italianas.
Em 1992, lançou o LP "Veloz" (Draps Songs), com 14 canções de sua autoria e Gerson Ney França.
No mesmo ano foi convidado para trabalhar como ator de publicidade e participou de mais de 50 filmes.
Voltou a jornalismo, em 1997, colaborando semanalmente no jornal "Debate", de Santa Cruz do Rio Pardo, escrevendo cronistórias da cidade e uma coluna de esportes.
Em 1999, foi convidado por seu parceiro de Língua de Trapo, Laert Sarrumor (que havia lançado o best seller "1000 Piadas do Brasil") a fazer um livro de humor para o público infanto-juvenil e assim nasceu "Um Campeonato de Piadas" (Ed. Nova Alexandria).
No ano seguinte, reuniu as crônicas santacruzenses na coletânea "Gato Pardo" (Massao Ohno Editor), ilustrado por Sérgio Fabris.
De volta à literatura, Guca Domenico resolveu conciliar música e letra, inovando no formato do novo trabalho. Em 2001, lançou o CD-livro "Te Vejo" (Draps Songs), com crônicas, poesias, hai-kais, fotografias e 11 composições.
Em 2002, escreveu a peça teatral "Meias Mentiras", premiada no Concurso de Dramaturgia da Secretaria de Estado da Cultura, de São Paulo. Também escreveu "Incomum, uma história de amor", musical teatral dedicado ao público infanto-juvenil. Os textos ainda não foram encenados.
Convidado por Nelson dos Reis, da editora Nova Alexandria, lançou o romance "O jovem Noel Rosa"
(2003) que recebeu a chancela de "Altamente Recomendável", do Instituto Brasileiro do Livro
Infanto-Juvenil. Em na mesma coleção Jovens sem Fronteira, com o pseudônimo de Christy Witman lançou "O jovem Martin Luther King" (2004).
Em parceria com Lauret Godoy, lançou "O jovem Santos-Dumont" (considerado o Livro do Ano
de 2006, pelo programa "São Paulo de Todos os Tempos", da Rádio Eldorado/AM), além de participar
da
coletânea de contos "Zodíaco", pela editora Nova Alexandria.
A veia humorística de Guca produziu dois livros: "1001 Desculpas Esfarrapadas" (2003) e "1001
Desculpas Esfarrapadas de
Políticos" (2006), sobre o escândalo do mensalão. Com este livro foi ao Programa do Jô, na Rede Globo.
Em 2005, a gravadora Atração lançou um box com CDs e DVD do Língua de Trapo. Convidado especial
para o show
de lançamento
no Sesc Pompéia, em São Paulo, Guca acabou voltando ao grupo que
ajudou a fundar
e ficou
até 2007, quando saiu
novamente por
incompatibilidade de agenda
com a carreira solo.
Nesta fase
apresentou novas músicas como "Armano",
"O sogro da Sasha", "E daí?","Ratatá no zumzumzum" e "Apavarotti".
Em dezembro de 2007, lançou o livro infantil "Olhe o desperdício, Coelho Felício", em parceria com
Neno Alves,
pela editora Nova Alexandria. Este livro foi adquirido pelo Ministério da Educação
para ser
distribuído para todo
o Brasil, no programa de incentivo à leitura do Programa
Nacional do Livro Didático.
Em 2008, lançou os livros "Breve História da Bossa Nova", pela editora Claridade, e "A poluição tem solução",
pela Nova Alexandria, livro sobre ecologia dedicado ao
público infantil.
Em outubro de 2008, lançou seu terceiro disco solo, "Vislumbres", pela Draps Songs,
com
composições
inéditas próprias e de parceiros (Carlos Melo, Gerson Ney França,
Danylo Galvão, Paulo Sustenido e Alice Ruiz),
com participação de Vanessa Falabella.
Em 2011, lançou pela Draps Songs "Eterno Retorno", quarto disco solo, contendo
12 composições
inéditas em parceria com o poeta Aguinaldo de Bastos, com
participações de Cristóvão
Bastos,
Toninho Ferragutti, Arismar do Espírito Santo,
Bia Góes, Lula Barbosa
e Orquestra.
Seu próximo projeto musical é a gravação do disco "Língua de Criança", com
composições
dedicadas ao público infanto-juvenil. "Música para criança
inteligente", ele brinca.
Na literatura, tem no prelo o livro "O jovem Mandela" e "Cronistórias Santacruzenses".
Guca Domenico participa regularmente de feiras de
livro
com sua
aula-show sobre Noel Rosa, além
de dar
palestras
motivacionais bem humoradas,
contando
casos
e parábolas. |